No dia em que Paulo Câmara vai a Serra Talhada, Hospam enfrenta denúncia por negligência em mais uma morte

 Do Farol
No dia em que o governador Paulo Câmara visita Serra Talhada, nesta sexta-feira (16), com a missão de trazer boas notícias, inaugurar e vistorias obras, o Hospam (Hospital Regional Professor Agamenon Magalhães) enfrenta mais uma grave denúncia por negligência médica, que teria provocado a morte da aposentada Eduarda Clara Torres, de 96 anos.

Revoltada, a neta da vítima Edicleia dos Santos Nogueira, 25 anos (foto), procurou a imprensa local  para relatar o que ocorreu com a idosa. Edicleia afirma que irá processar o Hospam como alerta para que outros casos não mais se repitam. A avó da jovem acabou recebendo alta da unidade por duas vezes, mesmo apresentando um quadro agudo de infecção intestinal, segundo relatam os familiares. Eles agora cobram por justiça. Edicleia morava com a avó no bairro Universitário.
“Minha avó foi vítima de uma negligência do Hospam. Ela passou mal após ingerir um alimento [iogurte], e eu levei ela – no sábado (10) de madrugada às 2h30 da manhã para o Hospam. Chegando lá os médicos não passaram ela na triagem, nem mediram a pressão dela e nem fizeram nenhum tipo de exame nela. O médico apenas passou um medicamento para vômito e ela chegou no Hospam reclamando de uma dor na barriga muito forte e vomitando bastante. Deram a ela um soro e no mesmo sábado pediram para a gente ir para casa. Chegando em casa os vômitos não pararam, as dores fortes na barriga também não. E os vômitos começaram aumentar mais e com um odor muito forte. Daí voltei para o Hospam no mesmo sábado com ela e o médico veio dizer que minha avó só estava desidratada”, contou Edicleia dos Santos, detalhando:
“Aí, [o médico] botou outro soro, de novo, botou mais medicamento para parar o vômito e ela não parava, mesmo no hospital e tomando o medicamento vomitava mais e mais e cada vez mais ficando debilitada. E toda vez o médico falava que era só desidratação. Eu cheguei até a pedir um exame para ele: ‘disse, Dr. passe algum exame pra ela’. E aí ele passou um hemograma. [Aí disse] Passe algum outro exame pra ela porque se o Hospam não puder fazer eu mesma pago. Aí ele disse: ‘Não moça, o que era para se fazer eu já fiz, que foi o hemograma e não deu alterado’. Daí isso já era domingo, voltamos para casa. Chegando em casa ela parou o vômito, mas começou um quadro de diarreia forte. E passei a noite todinha trocando frauda dela. Na segunda-feira (12) levei ela novamente ao hospital, mas já era tarde demais. Minha avó morreu por infecção intestinal. E por isso estou culpando o Hospam por negligência.”

EM BUSCA POR JUSTIÇA
Em busca de um advogado, Edicleia afirmou que pretende processar o Hospam acreditando que possa evitar mortes futuras de outros pacientes que precisem da unidade médica. “Eu pretendo entrar na Justiça, pretendo fazer tudo o que for possível, pois minha avó não vai voltar. E hoje eu faço isso porque, se todo o mundo que perder familiar lá dentro daquele hospital ficar quieto, chorando ou engolindo o choro e sem correr atrás, vai acontecer mais mortes lá [no Hospam], porque minha avó não vai ser a primeira a morrer assim, e isso nunca vai acabar”, afirmou.

O OUTRO LADO
A reportagem tentou contato com o diretor da unidade médica, João Antônio Magalhães, para prestar explicações sobre o caso, mas o seu telefone deu apenas desligado até o fechamento desta edição (14h36).

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