‘Foi um tiro certeiro na cabeça do meu filho’, diz mãe de adolescente de 14 anos morto por policial

 O adolescente de 14 anos morto por um policial no bairro Vicente Pinzon, em Fortaleza, foi atingido na cabeça, pelas costas, segundo os pais da vítima. Juan Ferreira dos Santos estava acompanhado de amigos em uma reunião na Praça do Mirante, ponto de encontro no bairro, quando recebeu o tiro, por volta de 22h30 da sexta-feira (13). 
Em nota, a Polícia Militar do Ceará (PMCE) informou que o policial autor do disparo foi identificado e está detido no Presídio Militar. Segundo a PM, os agentes que realizavam patrulhamento na região notaram “indivíduos em atitude suspeita” na praça e se aproximaram para realizar a abordagem.  
A polícia afirma que “algumas dessas pessoas resistiram e começaram a arremessar pedras contra a composição”, e, neste momento, o soldado efetuou “disparos para o chão”, que atingiram o adolescente. 
Atingido pelas costas 
Os pais de Juan questionam a versão da polícia afirmando que o filho foi atingido pelas costas, na cabeça.   
“A princípio, eles achavam que tinha sido só uma queda, por causa da correria. Os meninos não sabiam que tinha sido um tiro. Só que quando ele se baixou pra pegar a chinela ele já tava baleado, ele ainda correu baleado, mas não aguentou, porque foi um tiro certeiro na cabeça do meu filho que não tinha defesa, foi nas costas, não tinha como se defender”, relata entre lágrimas a mãe de Juan, Tânia de Brito. 
“Moleque cheio de vida, que foi interrompida por incompetência. Se fosse mais ágil não tinha feito isso, tinha êxito, mas não teve, houve falha”, reforça o cozinheiro José Ribamar Maia dos Santos, 38 anos, pai de Juan. 
Perguntada sobre a versão dada pela polícia, de que o soldado atirou em direção ao chão, a mãe endossa que a alegação não faz sentido. 
“Não, não atirou [pra baixo]. Se ele tivesse atirado pra baixo jamais ia acertar na cabeça do meu filho, jamais”, sustenta. 
“Se ele queria dispersar as pessoas, os adolescentes, os adultos, quem tivessem lá, ele teria atirado pra cima, por ele ser um policial experiente. Nem eu, que sou leiga… eu teria atirado pra cima, não na direção de uma criança, de um adolescente cheio de sonho. E ele acabou com tudo isso. Ele não pensou que hoje ia ter uma mãe dilacerada, destruída, sem chão, sem ter pra onde ir”, indigna-se a mãe. 
Fonte: Diário do Nordeste

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