Três décadas atrás, Carnaíba tinha o segundo maior espetáculo da Paixão de Cristo, em Pernambuco

Fotos: Arquivo Pessoal de Toinho Geraldo
 Era final dos anos 80, iniciando os anos 90. Toinho Geraldo, casado com a carnaibana Alba Cleide, retornara de Araripina para fixar residência em Carnaíba. Uniu-se com os filhos de Joel; Tota, Gerson, Luiz de Joel, Chiquinho e de Lisboa Gomes, Betânia Malaquias, Edval Dantas, Mery de Monteiro, Pollyana Mendes, Sílvio Paulo, Neto da Praça, Luciano Catarroz, entre outros grandes artistas carnaibanos e criaram naquela época o espetáculo da Paixão de Cristo, se tornando o segundo maior espetáculo ao ar livre do estado de Pernambuco, ficando atrás apenas de Nova Jerusalém.

 Espetaculares cenários eram construídos em diversos pontos da cidade pelos próprios atores, que madrugavam trabalhando do pesado na montagem de uma grande cidade cenográfica no centro de Carnaíba. Desde o ator principal aos figurantes, todos se engajavam na criação da cidade cenográfica. Os filhos de Joel, Magela e Neto da Praça eram os engenheiros dos efeitos especiais, o que completava o show espetacular das encenações dos atores.
Eram unidos e por diversas vezes, arcavam as despesas com seu próprio ordenado para que o espetáculo acontecesse. Teve um ano que o espetáculo chegou a ser apresentado para mais de 5.000 pessoas vindas de várias cidades do Pajeú e até do Recife.

 Sílvio Paulo Rodrigues, ou Paulo de Ione ou Paulo de Inês como é conhecido, protagonizava o espetáculo apresentando Jesus Cristo. Betânia Malaquias apresentava Maria Madalena como ninguém, Pollyana Mendes era a bailarina do bacanal de Herodes, Gilson Malaquias fazia Pilatos, os apóstolos mudavam de atores a cada ano.

Um grande público lotava a pista do Alto, na saída para Flores, iam até a pedreira de João de Eduardo, onde acontecia a primeira cena do espetáculo; o Sermão da Montanha. Com efeitos iluminários e de fogo, o público ficava 'boaquiaberto' e se arrepiavam com a interpretação de Sílvio Paulo como Cristo e do magnifico horripilante Toinho Geraldo como Satanás.
 A cena seguia pelo Monte das Oliveiras, um jumentinho fazia parte do espetáculo descendo a pista pela Rua 04 de Outubro até o extinto Banco do Brasil onde era encenado a Santa Ceia. 

A Via Sacra seguia toda a extensão da Rua Saturnino Bezerra com palcos montados em vários pontos da rua seguindo até o castelinho, na Praça Nossa Senhora de Lourdes onde servia de cenário para o Palácio de Pilatos e mais a frente, próximo a casa de Vianney Mendes, o bacanal de Herodes onde Cristo era condenado a morte levando sua cruz até a antiga estação ferroviária onde acontecia a Crucificação.

Os "soldados" levavam tudo a sério e somavam para a realidade da encenação que tinha se tornado tradição da região do Vale do Pajeú.

 Dos recursos financeiros, em alguns anos, o espetáculo contou com o patrocínio da prefeitura de Carnaíba, na época gerada por José Francisco Filho (Didi), através da Secretária de Educação e Cultura Petuca Malaquias, que por sinal, a melhor secretária de Educação e Cultura que Carnaíba teve até os dias de hoje (saudosa amiga). Em uma outra ocasião, o espetáculo contou com o patrocínio do empresário Expedito Tenório que posteriormente pleiteou a prefeitura de Carnaíba, porém sem exito.

Os atores acabaram se comprometendo com outros compromissos, uns foram embora tentar uma vida melhor fora de Carnaíba, outros casaram, outros se cansaram, mas alguns tentaram seguir a trajetória pelo menos até 2011.
 Gianotte Malaquias, Fábio de Dodô, Cauê Rodrigues, Gorette de Odom, João de Carmelita, Jesus Geraldo, Neném Geraldo, minha saudosa  amiga Nenem de Sandoval, Paulo de Biu, Fátima Rejane, Leide de Zelo, Zelinho Malaquias, Bi de seu Raimundo Barbeiro, Cida Firmino, Cícero de Maninho, Cinthya de Maninho, Inês Jurubeba, Chico de Zé Noé entre tantos outros carnaibanos fizeram parte dessa história que hoje, a juventude não conhece.

É lamentável não ter continuado pelas novas gerações. Talvez a falta de incentivo do poder público.

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