Feitosa afirma que diminuição da pista será um dos grandes problemas da privatização do Aeroporto do Recife

 A privatização do Aeroporto do Recife foi o assunto debatido pelo deputado Alberto Feitosa em sessão plenária da Assembleia Legislativa desta quarta-feira (27). O parlamentar explicou que um dos grandes problemas da concessão do terminal aéreo poderá ser a diminuição da pista de pouso. O requerimento que pede ao Governo de Pernambuco, através da Procuradoria Geral do Estado, que entre com um pedido de inexecução da privatização, de autoria de Feitosa, foi votado na Casa Joaquim Nabuco e aprovado pelos deputados presentes.
Segundo o deputado, um dos pontos preocupantes do modelo de concessão está nas adequações que deverão ser feitas, que foram apresentadas no caderno de engenharia do edital bloco Nordeste, do item Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA), para o sistema de Pista de pousos e decolagens. Foram oferecidas três alternativas, sendo elas: 1) implantação da segunda pista, com 2.600 metros; 2) redução do comprimento da pista atual, para 2.830 metros, com desapropriação de área de terceiros; e a 3) redução da pista atual, em sua distância disponível para pouso.
O item três foi o escolhido para o Bloco Nordeste, onde está sendo pedida a implantação da RESA, uma área de segurança de fim de pista, e, sem a desapropriação e expansão do sítio aeroportuário, será realizado com a diminuição da única pista do terminal aéreo, saindo dos 3.007 metros para 2.479 metros. Essa redução implica na capacidade de aeronaves de grande porte, com cargas máximas, não poderem decolar do Aeroporto do Recife, podendo sair dos Aeroportos de Salvador e Fortaleza, que não tiveram suas pistas diminuídas.
“Na época da construção do novo aeroporto, quando fui superintendente, o investimento, que girou em torno de R$ 400 milhões, ficou metade para o Governo do Estado e metade para a União, e consistiu em estacionamento, novo terminal, aumento do pátio da operação de aeronaves e a ampliação da pista, esse último que ajudou a garantir a Recife a maior capacidade de operação. Não havendo, caso seja feita a privatização do Aeroporto do Recife nesse modelo proposto, devolução dos recursos para o Estado, ficando todo o retorno do investimento da época apenas para a União”, afirmou. 
Com a diminuição da pista, a capacidade de competir com os aeroportos de Salvador, Fortaleza e São Gonçalo dos Amarante, no Rio Grande do Norte, irá diminuir. Com a atuação do Porto de Suape, também poderá ser perdido o fluxo dos navios cargueiros, que deverão procurar outros portos. “Ao longo desses 30 anos, teremos um impacto enorme, deixando de decolar de Pernambuco o Hub da Azul, deixaremos de operar as grandes aeronaves”, disse o deputado.
O pronunciamento de Feitosa recebeu o apoio dos deputados Wanderson Florêncio, João Paulo Lima, Antônio Fernando, Erick Lessa, Diogo Moraes e Isaltino Nascimento. O deputado João Paulo Lima propôs que o tema seja discutido na Comissão de Desenvolvimento Econômico e Turismo da Alepe, pois traz um grande impacto para Pernambuco. Já Isaltino Nascimento sugeriu que os deputados estaduais ingressem com uma ação judicial no Tribunal Regional Federal para a suspensão do processo de privatização, além de uma reunião com o presidente do TRF de Pernambuco.
Pedido ao Governo do Estado – os deputados aprovaram por unanimidade o requerimento onde o deputado Alberto Feitosa solicita que o Governo de Pernambuco, através da Procuradoria Geral do Estado, ingresse com uma ação junto ao Ministério Público Federal para que o leilão do Aeroporto do Recife não seja realizado no dia 15 de março. O parlamentar alegou que o modelo escolhido para Pernambuco é diferente das privatizações que aconteceram com Salvador, que recebeu 2,8 bilhões, e Fortaleza, que teve retorno de 1,4 bilhões. O terminal aéreo pernambucano receberia apenas 838 milhões e seria privatizado em um bloco com mais cinco aeroportos do Nordeste, não trazendo, assim nenhum tipo de retorno financeiro para o Estado. 

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