Começa nesta quarta a exposição de peças arqueológicos encontradas em obra da Compesa no Mercado da Ribeira

 Uma exposição que reúne parte do acervo arqueológico encontrado (e resgatado) durante as escavações da obra de abastecimento de água realizada pela Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) no Sítio Histórico de Olinda será aberta a visitação a partir desta quarta feira (12), às 10h, no Mercado da Ribeira. Mais de 200 peças - dentre as três mil achadas nos últimos cinco meses - compõem a mostra, como faiança, louça, cerâmica, cachimbos, além de materiais em metal, como pregos, moedas do século 18 e 19 e projétil de bala. A abertura da Exposição Resgate e Monitoramento Arqueológico durante Ampliação e Setorização na Rede de Água da Compesa – Sítio Histórico de Olinda  também marcará a inauguração do Espaço Museológico do Laboratório Municipal de Arqueologia de Olinda, localizado no subsolo do Mercado da Ribeira. A exposição é realizada pela Compesa em parceria com a Secretaria de Patrimônio, Cultura, Turismo e Desenvolvimento Econômico de Olinda, e ficará em cartaz durante todo o período de execução da obra de melhoria do abastecimento de água no Sítio Histórico.

Os artefatos arqueológicos encontrados pela Compesa, desde o início da obra no Sítio Histórico, em junho deste ano, são datadas dos séculos 17, 18 e 19 – as análises dos materiais ainda estão em andamento – e ajudam a explicar o modo de vida e os costumes que se iniciaram com a primeira vila estabelecida em Olinda, a partir do ano de 1535. “Com essa exposição, vamos proporcionar para a comunidade o contato com os materiais arqueológicos resgatados com a execução da obra, mostrando como os estudos arqueológicos preventivos, assim como o acompanhamento das escavações são importantes para minimizar os impactos causados ao patrimônio, que guarda parte relevante de nossa história”, explica a arqueóloga Gleyce Lopes, pontuando que todo material encontrado pertence a União, tendo em vista a legislação vigente no Brasil.

A exposição foi montada de acordo com a composição do material e sua respectiva funcionalidade. Por exemplo, foram separados os vasilhames cerâmicos utilizados para armazenar água e alimentos das faianças utilizadas como pratos e tigelas, assim como há um espaço para os cachimbos de caulim. De acordo com a arqueóloga, a mostra também apresenta a conexão entre as peças e os locais onde esses materiais foram encontrados, por meio da caracterização dos bens culturais achados e as ruas onde foram coletados. Na Rua Saldanha Marinho, ao lado da Academia Santa Gertrudes, foi encontrada a maior quantidade de artefatos. A arqueóloga ainda lembra, que parte desses materiais foram apresentados em escolas do Sítio Histórico, dentro de uma proposta de mostra itinerante para educação patrimonial.

“Está sendo um grande desafio para a Compesa as obras no Sítio Histórico. Porém, o resultado do trabalho nos deixa muito satisfeitos  com a contribuição da Compesa no resgate dessas  peças que  revelam um pouco da história de Pernambuco”, afirma Vivaldo Melo, gestor das obras do Programa Olinda+Água, que prevê  até 2021, a distribuição de água diariamente para 15 bairros de Olinda.

Segundo Gleyce Lopes, antes de iniciar a obra da Compesa, foi realizado um levantamento detalhado junto ao Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e outras instituições, como o IAGHPE (Instituto Arqueológico Geográfico e Histórico e Pernambuco), e não há registros de relatórios sobre trabalho semelhante ao feito pela obra da Compesa - embora se saiba que, de fato, ocorreram intervenções parecidas em algumas áreas do Sítio histórico de Olinda, em meados da década de 1990. No entanto, não houve nenhum registro de artefatos encontrados e catalogados.

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