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Afogadense desabafa sobre a possível derrubada de árvores da Avenida Rio Branco, em Afogados

A Afogadense Clarissa Siqueira, hoje residente na capital pernambucana, entrou na luta pela rede social Facebook contra a possível derrubada de árvores da Avenida Rio Branco, em Afogados da Ingazeira que passa por processo de revitalização.
Clarissa recebeu diversos apoios dos moradores de Afogados e ativistas como a também Afogadense Tereza Amaral em defesa da história da Avenida Rio Branco.
Em um desabafo, Clarissa conta passo a passo a importância da história da Avenida Rio Branco na vida do povo afogadense.
"-AVENIDA RIO BRANCO, AFOGADOS DA INGAZEIRA, PE: nasci, brinquei, cai, aprendi, gargalhei, abracei, dancei, pulei, amei, chorei! Ao ver todo o meu passado se esvaindo e levado por torturantes rajares de tratores perco o meu chão, minha identidade, meu próprio ser! O choro que escorre em meu peito é larva de vulcão que penetra e deixa cicatriz que nem cirurgia plástica é capaz de apagar! Me sinto perdida, em devaneio, sem estrada, sem rumo...

 Na minha memória procuro a mais singela lembrança. A lembrança do chegar ao dobrar da Artur Padilha e adentrar nos seus largos corredores que abraçavam cada jardineira, perfazendo uma a uma, lajota por lajota que rememoro e sei de cór. Banco por banco, nos quais vejo e ainda escuto o burburinho da minha família, de vizinhos! Primeiro, jogaram um lençol de petróleo nas vias que por tantas vezes cruzei para alcançar os bancos da felicidade. A partir daí o temor fazia-se constante na minha alma. O pânico de afanarem nossa história começou a fazer parte do meu cotidiano. Agora, parte de mim se vai com o arrancar de cada lajota, a demolição de cada banco e o cruel derrubar de cada árvore. Suas raízes misturam-se as minhas que imploram por sobrevivência. 

Me sinto em processo de mutilação a cada talisca de paisagem arrancada da minha memória. Não sei mais quem eu sou. não sinto mais o cheiro do afagar da minha querida rua. Meu peito corrói em ácido, meu clamor tortura cada desfalecimento da minha mente. A dor, já não consigo mensurá-la. A perda é dos encontros, das gargalhadas, das madrugadas, das brincadeiras, da memória individual e coletiva... Nessa avenida, onde vivi grande parte dos momentos da minha vida, as histórias estavam registradas em cada elemento que se fazia ali presente. Era o meio fio das praças que tanto tropecei. Era a tampa do contador da compesa camuflada pela vegetação rasteira que tanto se revirou em cada “batida salve todos” gritada. Era o “entre praças” que servia de palco para as inúmeras festividades que ali aconteciam e que uniam cada vez mais seus moradores. Eram os grandiosos cedros que em tantos momentos nos acalentaram com suas sombras sob o sol a pino sertanejo. Era o banco em que ao amanhecer eu ia me sentar com meu velho para ali observar o movimento e matar a saudade. Cada elemento era o próprio vestígio dos acontecimentos que ali perduraram por longos anos. Sua permanência incrustada na paisagem desta avenida permitia que a memória individual e coletiva se fizesse viva, não só dos moradores deste logradouro, mas de todo e qualquer cidadão, que já teve um momento, por menor que seja, de vivência naquelas nostálgicas e aconchegantes praças.
 Ali nos identificamos, nos unimos, nos perpetuamos e nos amamos. A Avenida Rio Branco faz parte da memória da cidade, da memória coletiva e da memória de cada indivíduo que ali viveu e vive. A perda de sua espacialidade peculiar faz com que as âncoras das recordações sejam drasticamente carregadas pelo mar "dessa modernidade" que tanto atormenta e afoga meu ser".
Clarissa Siqueira

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