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Os 87 anos da Guerra de Princesa

Do Jornalista Princesense Tião Lucena
Não tive a honra de conhecer o coronel José Pereira Lima, de Princesa. Quando eu nasci, ele já havia morrido. Morreu novo, aos 68 anos, de apendicite. Uma morte pacífica para quem, em vida, ousou desafiar gigantes e manteve, durante oito meses seguidos, uma guerra civil contra o Governo do Estado da Paraíba, só depondo as armas quando o chefe do Estado tombou varado pelas balas do advogado João Dantas, no Recife, em julho de 1930.
Meu pai o conheceu. O coronel já não guerreava quando meu pai teve a felicidade de dividir espaços geográficos com ele, na Princesa já pacificada. O meu velho disse que se tratava de um homem elegante, de boa aparência, de sorriso fácil, educação esmerada e um brilho no olhar que irradiava simpatia e impunha respeito.
Foi em razão dessas descrições feitas pelo meu pai, que passei a admirar esse homem que tantos fãs deixou na Princesa que tanto amou.
E, quanto mais me aprofundava nas descobertas sobre Zé Pereira, mais me convencia do valor histórico que ele representa para o nosso Estado.
Os que fizeram a história dos vencedores o retrataram como o bandido, protetor de cangaceiros, que comandou uma revolta inconsequente para agradar aos adversários de João Pessoa. Nós, que não fazemos parte do time dos mentirosos, no entanto, sabemos que Zé Pereira foi um homem que enfrentou a arrogância de João Pessoa e teve o topete de desafiá-lo por não admitir traição aos seus amigos. João Pessoa era o presidente sem votos que chegou ao Palácio agarrado no prestígio do tio. E que, no seu delírio de poder, achou que poderia pisar no cangote dos que contrariavam e impor sua vontade de ditador. Pereira enfrentou-o de homem para homem e aceitou a guerra. Sustentou no tiro as investidas do presidente e só parou de brigar quando este morreu de morte matada.
Esta é a verdade verdadeira. Foram oito meses de luta, de mortes e de dores. E o presidente morreu sem conseguir cumprir a promessa de subjugar o coronel de Princesa. Tentou e foi derrotado, seus homens, aos frangalhos,foram enxotados do território livre de Princesa e somente apareceram por lá quando Zé Pereira encerrou a guerra e desarmou seus homens.
Hoje a Paraíba lembra os 87 anos da Guerra de Princesa e reverencia uma das últimas testemunhas vivas do conflito, o ex-deputado Aloysio Pereira, filho do coronel, homem de luta igual ao pai, honrado e de palavra como foi o coronel, patrimônio de Princesa e orgulho dos princesenses, personagem viva da história, dando exemplos e conselhos aos mais novos, forte e tinindo aos 94 anos de idade.

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