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Livro "O Herdeiro dos Astros" que conta a vida do poeta João Paraibano é lançado em São Paulo

O livro João Paraibano, o Herdeiro dos Astros,  uma coletânea de versos do repentista reunidos por Marcus Passos, Santanna o Cantador e Ésio Rafael, depois de ter sido lançado em João Pessoa, no Recife e Afogados da Ingazeira, foi também lançado neste domingo 06, em evento no Restaurante Feijão de Corda, localizado na Avenida Cruzeiro do Sul n° 2.816, em Santana, zona norte de São Paulo, capital, a partir das 16h00. 
Duplas de repentistas como Cacá Lopes e Marcos Haurélio, Kako Marcos e Pedro Monteiro, Chico Caetano e Dedé Laurentino, Edival Pereira e Orlando Dias e Fenelon Dantas e Rubens do Vale foram as atrações do evento que contou ainda com a participação de muitos nordestinos, entre eles, o paraibano Claudino Rodrigues, de Tavares.
O herdeiro dos Astros é o título de uma monografia escrita por Ésio Rafael, que os outros organizadores tomaram emprestado para a homenagem O livro é uma obra coletiva com versos colhidos entre os parceiros e pessoas que conviveram com João paraibano.
João Pereira da Luz, eternizou-se João Paraibano, natural do sítio Pica Pau, município de Princesa Isabel – PB. Nasceu no dia 07 de outubro de 1.952, sob o abençoado teto do humilde casal: Zacarias e Elisa. Família simples e de origem camponesa e que contava além de João, com mais duas irmãs: Inês e Tiana além dos irmãos e também cantadores: José Pereira (Edezel) e Severino Pereira.
-"Contou-me João certa vez, que antes do seu nascimento, nasceram mais dois irmãos e que também se chamaram João, porém não conseguiram sobreviver. Então, em homenagem aos falecidos, seus pais colocaram no terceiro homem que nasceu o nome João. Certamente Deus estaria esperando o João certo, que viria bafejado pelas aragens da poesia e que possivelmente os anteriores não dispunham deste recurso.

Foram sessenta e dois anos vividos com muito sacrifício, com muita luta, mas com muito dinamismo principalmente. Antes de tornar-se o poeta famoso, João trabalhou na roça, no sítio onde nasceu; ajudou seu pai na feira de Princesa Isabel, já que ele era marchante de porco, como também foi cassaco de rodagem. Na década de 1970, casou-se com a jovem Lindaura Barros da Luz, de cuja união nasceram quatro filhos. A primeira, uma menina que faleceu ainda bebê, em seguida mais três filhos, sendo um homem e duas mulheres.
A partir da sua chegada a Afogados da Ingazeira, fez suas primeiras participações nos programas de violas da Rádio Pajeú. Vale salientar que antes de vir para Afogados, onde fixou residência, João já havia dado seus primeiros passos na profissão de violeiro, através da qual se imortalizou.

Ainda na região do Pica Pau, Escorregada, Cachoeira de Minas, Manaíra e outras localidades, improvisou suas primeiras estrofes com os cantadores que costumavam passar na casa do seu pai, seu Zacarias, que era um acolhedor de cantadores, acho que até antevendo que um dos maiores de todos os tempos tinha nascido justamente sob aquele teto que já cheirava a poesia desde cedo.
Vieram assim, os primeiros colegas como: Zé Miúdo, Manoel de Souza, João de Lima, que serviram de mestres e deram uma grande contribuição para o início da carreira vitoriosa do canhoto e que em parceria do mesmo cortaram muitas léguas de chão. Já em Afogados surgiram novos parceiros como: José Feitosa, Zé Pequeno, Coriolano Sérgio, Heleno da Silveira, Raimundo Borges, Moacir Laurentino e Sebastião Dias, com quem foi duplado por mais de trinta anos e com quem encantou todas as plateias tanto nos pés de parede como nos palcos de festivais.
João Paraibano, um poeta de pouco conhecimento escolar. Foram apenas quarenta dias de aula em seu currículo, mas o suficiente para enfrentar de igual para igual todos os adversários da cantoria, até porque tinha um faro diferenciado dos demais.

Certa feita, cantando em Gravatá para o Dr. Dirceu Rabelo, poeta e autor de várias gramáticas, encontrava-se na plateia um professor da universidade de Fortaleza CE. E foi dado o seguinte mote a João: Poesia é a própria voz divina / A vibrar no baião dos cantadores. Diante de uma das estrofes que João produziu, o professor decorou e fez questão de levar ao Ceará para dar aula, mediante a riqueza gramatical que continha nos versos.

João disse:

Eu sou mais um repórter do diário
Das notícias que a mão de Deus escreve
Se sou pobre, não estou fazendo greve
Reclamando um aumento de salário
Desconheço o que é dicionário
Onde vejo um letreiro estranho as cores
Nunca tive lição de professores
Quando eu erro um poema, Deus me ensina
Poesia é a própria voz divina
A vibrar no baião dos cantadores.

Na minha visão, João jamais teve noção do tamanho dele. Eu o conheci muito de cantarmos e viajarmos juntos e sempre percebi que João tratava-se de um ser totalmente desapegado a vaidades e ambições, talvez por isso tenha sido o gênio que foi.

João Pereira da Luz foi sem dúvidas nenhuma o poeta que colocou a luz do seu sobrenome em cada estrofe que produziu. A natureza de uma forma em geral foi a fonte na qual bebeu o suficiente para injetar em cada estrofe a beleza e a doçura que cabia em cada uma delas, e que somente ele sabia colocar.
 João Paraibano faleceu no dia 01 de Setembro de 2014."
Por Diomedes Mariano com fotos de Claudino Rodrigues para o Blog do Cauê Rodrigues.

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