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PRINCESA ISABEL: A QUEDA DE UM PRECONCEITO

Por: Miguel Lucena
Princesa, no sudoeste da Paraíba, fronteira com Pernambuco, tem pouco mais de 20 mil habitantes, mas sempre foi estratificada. Os chamados ricos moravam na Rua Grande, Avenida Coronel Florentino, Praça José Nominando e Rua Nova, onde fica o Palacete de Zé Pereira.
Essa lógica foi quebrada por Marçal Lima, que construiu uma palácio na Rua do Cancão. Ele era meu padrinho e morreu cedo, vitimado por um infarto. Foi nessa casa que eu pensei em me dedicar aos estudos para um dia ter o mesmo conforto. Fomos salvos pela educação e cultura.
As discriminações eram claras: os ricos dançavam nos bailes das duas correntes políticas locais (Diniz e Pereira), em clubes com orquestra, e os pobres se viravam nos forrós de ponta de rua, os chamados bolos-doces, nos quais os negros, duplamente discriminados, podiam entrar.
Na medida em que os moradores se afastavam do centro da cidade, os preconceitos aumentavam. Os habitantes da zona rural eram tratados com chacota, como matutos e lesos.
Quando o deputado Aloysio Pereira escolheu João Pacote para representar seu grupo (MDB) como candidato a prefeito, em 1976, o deputado Nominando Diniz optou por um rapaz da cidade, Batinho, porteiro do Ginásio Nossa Senhora do Bom Conselho, e impôs uma derrota ao tabaréu da roça.
Na eleição de 2012, ouvi essa mesma conversa em Princesa: Dominguinhos era um rapaz culto, da rua, e o outro candidato, Ricardo Pereira, era um matuto da Lagoa da Cruz. O candidato da cidade ganhou.
Tentaram emplacar o mesmo mote no pleito deste ano, mas desta vez o eleitorado inverteu a lógica: o rapaz da roça derrotou o moço bem nascido e morador da capital, acabando com a história (que vem desde 1904) do doutorzinho que abandona seu curso de Direito para cuidar do reduto da família.
Foi preciso um homem do campo para acabar com o curral.

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